Tabaco: sempre vilão?

 Lavanderia na linhaFuente: Pixabay

Conhecido de longa data, o tabaco é o nome comum atribuído a várias plantas do gênero Nicotiana, e o termo geral para qualquer produto preparado a partir das folhas curadas da planta do tabaco. Mais de 70 espécies de tabaco são conhecidas, e suas folhas secas são usadas principalmente para fumar em cigarros, charutos, cachimbos, shishas etc.

Por conta disso, o uso de tabaco é um fator de risco para muitas doenças; especialmente aqueles que afetam órgãos como o coração, fígado e pulmões, bem como muitos tipos de câncer. Em 2008, a Organização Mundial de Saúde (OMS) nomeou o uso do tabaco como a maior causa de morte evitável do mundo.

Porém, novas pesquisas têm revelado que a manipulação da planta pode trazer alguns benefícios, como veremos a seguir. Após sua leitura, não deixe de conferir outros materiais no site de cassino online da Mummys Gold.

Engenharia das plantas

Imagine se as plantas pudessem ser projetadas para produzir vacinas, produtos farmacêuticos, proteínas e enzimas para aplicações médicas, agrícolas e industriais a uma fração de seu custo atual. Bom, essa é a ideia que move o estudo das plantas e seus componentes químicos, a fim de buscar soluções – com o auxílio da engenharia genética – para problemas comuns do dia-a-dia.

E com essa ideia em mente, um grupo de cientistas apresentou os resultados de uma pesquisa com a planta do tabaco um tanto quanto peculiar: em vez de trazer substâncias cancerígenas, as plantas de tabaco poderiam produzir ingredientes para o sabão em pó e detergentes, e a partir de um processo muito mais barato do que os fabricantes utilizam no momento.

Pois é, a ciência é muitas vezes um processo frustrante, cheio contratempos. Mas às vezes um experimento sai melhor do que o previsto. Esse estudo, publicado na revista Nature Plants, discorre sobre como, em uma tentativa de dar ao tabaco um novo papel, os pesquisadores inseriram um gene bacteriano que transforma a enzima Cel6A nos cloroplastos na planta.

E o que isso significa?

Como muitas enzimas vegetais, a Cel6A e outras celulases (assim chamadas porque quebram a celulose, a parede externa das células vegetais) são proficientes em dissimular compostos maiores. A Cel6A é incrivelmente útil em detergentes de roupa, onde começam a trabalhar desintegrando as manchas. A ideia seria reprojetar as plantas de tabaco para produzir grandes quantidades de tal enzima, isolá-la e usar o material para fabricar sabão em pó.

No campo da ciência, o tabaco é uma planta altamente estudada, porque já se sabe muito sobre seus compostos e comportamentos. A produção de Cel6A serve como uma prova de princípio, mas em um sentido prático, pertence a um grande grupo de enzimas relacionadas usadas na fabricação de detergentes de roupa modernos. E a enzima vai além, podendo ser utilizada na indústria têxtil, como no amolecimento de jeans e outros tecidos; e no processamento de alimentos e ração animal. Além disso, as celulases mais baratas podem reduzir bastante o custo final do etanol e de outros produtos verdes derivados da biomassa.

E a pesquisa não parou por aí.  os pesquisadores já sabiam que a planta do tabaco era capaz de produzir eficientemente essas enzimas em ambientes fechados. Faltava descobrir como seria no lado de fora. Então, em um novo estudo, eles testaram o quão bem o tabaco geneticamente modificado se sairia no ambiente externo e não controlado. Surpreendentemente, a resultado foi ainda mais animador, com taxas mais altas de produção enzimática nas plantas observáveis, apesar de uma diminuição na concentração proteica quando comparado às estufas e câmaras de crescimento.

Plantes de tabacSource: Pixabay

Os próximos passos

Agora que os pesquisadores sabem que podem criar de forma eficiente o Cel6A, torna-se importante padronizar e potencializar sua produção. Para tal, é preciso mergulhar ainda mais fundo na engenharia genética das plantas para entender todo o processo em um nível molecular.

Durante os testes, a produção das enzimas e proteínas mostrou-se presente, porém não regular. O ambiente e demais fatores internos possuem grande impacto na maneira como as plantas se desenvolvem e, para que, de fato, seja possível uma aplicação industrial, esses detalhes precisam ser melhor compreendidos. Além disso, é necessário avaliar o impacto de uma produção em escala, principalmente quando desenvolvida fora do laboratório.

Em suma, o mais interessante é perceber como a ciência e a tecnologia podem abrir novas portas para questões que já haviam sido rotuladas pela sociedade, como o papel do tabaco. Um atual vilão que, possivelmente em um futuro, pode virar mocinho.

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