A partícula que altera o universo

Céu estrelado sobre o desertoFonte: Pixabay

Há diversos mistérios que assombram ou instigam a curiosidade que tangenciam nossa vida. Ficaríamos horas citando exemplos e, mesmo assim, não chegaríamos ao fim dessa lista. Mas é certo que um dos mistérios que mais fascina o conhecimento humano – afinal, não vivemos só nos divertindo com os jogos de cassino, é o da expansão do universo.

Desde que nosso universo emergiu de uma explosão de uma minúscula partícula de densidade e gravidade infinitas, no evento que todos conhecemos como Big Bang, ele tem crescido. Mas a rapidez com que está se expandindo tem sido motivo de um debate vertiginoso. As medições dessa taxa de expansão provenientes de fontes próximas à terra parecem estar em conflito com as mesmas medições feitas a partir de fontes distantes. Uma explicação possível, apesar de ainda mais misteriosa, é que, basicamente, algo estranho está acontecendo no universo, alterando a taxa de expansão.

A teoria das supernovas

Antes de falarmos do que propõe as teorias em torno desse “algo estranho”, é importante entendermos como as medições da expansão do universo são feitas. Uma maneira de medir essa taxa de expansão é olhar para as supernovas que estão próximas, ou seja, para a explosão de gás e poeira lançada pelas maiores estrelas do universo nos estágios finais de sua evolução.

Em poucas palavras, é possível comparar o brilho proveniente desse fenômeno astronômico com dados dos quais já dispomos e calcular uma estimativa de taxa de expansão. De forma bastante grosseira, é algo um pouco parecido com o que fazemos quando comparamos o som e a luz de um raio para saber sua distância.

Mas há mais no universo do que esses fenômenos explosivos. Há também a chamado radiação cósmica de fundo em micro-ondas, que são uma espécie de cicatriz observável deixada pelo evento do Big Bang. Graças a algumas missões, como a sonda Planck – encarregada de mapear essa radiação remanescente, os cientistas têm mapas precisos dessa marca luminosa, que podem ser usados ​​para obter uma imagem do conteúdo do universo.

A tal da energia escura

Bom, então já estabelecemos que os cientistas sabem que o universo está se expandindo e que o faz desde o acontecimento do Big Bang, há cerca de 13,8 bilhões de anos. Mas ainda há diversos mistérios sobre esse crescimento, principalmente naquilo denominado como universo não observável.

Representação do nosso sistema solarFonte: Pixabay

Um dos pontos bem interessantes dessa discussão está relacionado à questão da perspectiva. Aqui na Terra, parece que todas as outras galáxias estão se afastando de nós, como se fossemos o centro de tudo. No entanto, se a observação fosse feita a partir de um planeta de outra galáxia, seria esse o centro do universo a partir desse exercício de observação. Trocando em miúdos, essa expansão se dá para todas as direções ao mesmo tempo, o que ligado a algo conhecido, ou desconhecido, como energia escura.

Pouco se conhece sobre esse fenômeno, mas as teorias indicam que é como uma espécie de antigravidade, empurrando as galáxias cada vez mais longe umas das outras e, dessa forma, interferindo e contribuindo com o processo de expansão do próprio universo.

Enfim, a partícula desconhecida

Já deu para perceber que o assunto é bem mais complexo do que aparenta, não é? Pois não se preocupe, pois as maiores mentes do planeta também estão repletas de dúvidas. E nesse processo de tentar encontrar melhores explicações, cientistas sugeriram a existência de uma nova partícula que é tão peculiar que aparenta ser uma quinta força da natureza para além das admitas até hoje pela astronomia (eletromagnetismo, gravidade, força nuclear fraca e força nuclear forte).

Liderado pelo físico teórico Massimo Cerdonio, da Universidade de Pádua, o estudo propõe que essas partículas são axiões, partículas cerca de 500 milhões de vezes mais leves que os elétrons, que parecem existir em um campo quântico que é, de alguma forma, responsável pelas mudanças na energia escura.

O físico explica que essa partícula desconhecida sempre existiu e, embora nunca tenha sido detectada, trata-se de uma partícula de bóson, uma entidade que interage com as forças existentes que regem a expansão. Dessa forma, a partícula está lá fora, interferindo na energia escura em diferentes partes do universo e, portanto, alterando o ritmo e forma de expansão do cosmos. Até o momento, tudo parece vago, mas os cientistas acreditam que essa descoberta, por mais que carente de informações mais detalhadas, pode ser o início de teorias mais assertivas sobre o futuro do universo.

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